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Entrevista com Sthephanie Motta - Os Incríveis 2


        
Os Prêmios da Academia, mais conhecido por Oscar, é a cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles. Anualmente, a Academia presenteia profissionais da indústria do cinema das mais diversas categorias, entre elas, filmes de animação. 
Em 2018, um dos filmes mais aguardados pelo público foi indicado ao prêmio de Melhor Animação. “Os Incríveis 2” mostra o retorno da família Pera (na versão original, família Parr) e o desenrolar da história gira em torno da luta dos super--heróis para deixarem de ser ilegais. 
Diferente do primeiro filme, lançado em 2004, é Helena quem protagoniza a cena como heroína principal. Ela recebe um convite para voltar a ser a Mulher-Elástica para mostrar ao mundo como os heróis são necessários. Como agora ela é quem tem que trabalhar fora, Beto fica responsável por cuidar das crianças. 

Além da clara troca de papéis em comparação com o primeiro filme, “Os Incríveis 2” também lida com outras questões sociais, como o protagonismo feminino. Em entrevista, Sthephanie Motta, da equipe do site Mundo das Resenhas, discute a maneira como o filme abordou questões ligadas ao feminismo e outras pautas sociais. 

Num cenário de diversas questões de gênero, qual a importância do enredo de Os Incríveis 2?

No primeiro filme, embora apareçam algumas mulheres, elas não têm um enfoquetão grande na narrativa. Mesmo a Helena,que é a Mulher-Elástica e que exerce um papel importante na história, é uma dona de casa. [...]

No segundo [filme], a gente tem uma abordagem totalmente diferente. A gente tem uma Helena, que graças a ela, a família tem uma casa pra morar e a sociedade começa a ver os heróis de uma forma diferente. [...] Até mesmo a Evelyn, que é a vilã, é uma mulher brilhante. Ela que é a mente por trás das campanhas da Mulher-Elástica. 
Trazer essa abordagem diferente para um filme infantil é muito legal, porque você ensina as crianças desde pequenas a entenderem essa questão do gênero, a entenderem que não é só o pai que pode sair para trabalhar, por exemplo, e que a mulher tem um papel na sociedade sim. Ensina a entender que a gente não é uma coisa pré-estabelecida de que só o homem salva o mundo, digamos assim.
Eu acho muito inteligente. É uma abordagem completamente diferente do que a gente já estava acostumado do primeiro filme, além de retratar muito o que a gente vive hoje. [...] Muitas vezes, as mulheres não são respeitadas como deveriam ser. E o filme, por mais que seja por meio de entrelinhas, trata muito bem isso: o papel forte da mulher e como ela deveria ser vista e tratada pela sociedade.

Quais são os pontos altos na trama do filme? E os baixos?

Na minha opinião, geralmente os filmes que são continuações não costumam ficar tão bons, mas os catorze anos de espera de Os Incríveis pra mim foram satisfatórios.É um filme bem feito, tem uma continuação lógica, tem uma narrativa boa e é muito divertido, principalmente para as crianças. Então eu acho que tem muitos pontos altos. Tanto a questão de gênero que ele trata, de uma nova trama e novos personagens também. Pra mim, tem mais pontos altos do que baixos. Eu não tenho defeitos tão aparentes para ressaltar. Acho que é um filme muito estruturado.

Como os personagens, em seus defeitos, qualidades e ações, conseguem dialogar com a vida real?

Os personagens são muito bem produzidos e possuem muitas características humanas que a gente vê no dia a dia. [...] As representações são bem os clichês da nossa sociedade. Você sempre encontra uma característica que você vai se identificar ou vai identificar alguém. São características muito reais, são bem palpáveis,visando mesmo a identificação do espectador.

Entre os diversos comentários sobre o filme na época de sua estreia, esteve presente a crítica de que Beto não conseguiria lidar bem com as tarefas familiares e domésticas por ser homem. Considerando o histórico da personagem, o papel de pai do Beto foi desenvolvido da melhor maneira?

O filme retrata muito bem o que é o dia a dia de uma sociedade comum. Foi muito falado que o Beto não daria conta e até em algumas cenas do filme, ele aparece muito cansado. [O filme] mostra muito também essa evolução do Beto, o que é legal. Ele é jogado em uma situação que ele não estava acostumado [...] e apesar de tudo, ele vai aprendendo e desenvolvendo uma capacidade de lidar com as situações fora de seu costume. É bem legal essa evolução que mostra como um homem comum, que a gente tá tão acostumado a ver na sociedade, lidaria com uma situação dessa. No começo é sempre difícil, mas ele vai se habituando.

Para você, o filme ilustra algum ideal de masculinidade tóxica ou de um homem ideal em alguma de suas personagens? 

No primeiro filme, é muito mais evidente por causada predominância masculina na história. O segundo tem os homens, mas o foco está nas personagens mulheres, como a Helena e a Evelyn ou até mesmo na Violeta. Porém, por exemplo, o Winston, irmão da Evelyn, fica sempre à frente dela por mais que ela seja o cérebro por trás da empresa. Ela até fala isso para a Helena, sobre como ela sempre está nos bastidores. De certa forma, há sim o papel mais forte e representativo da mulher, mas ali nas entrelinhas ainda há alguns resquícios de que o homem tenta estar à frente da mulher.

Na sua opinião, a personagem Helena se enquadra como feminista?

Sim. Apesar do maior foco da narrativa ser a Helena saindo de casa para trabalhar, o fato dela não aceitar os padrões estipulados pela sociedade mostra isso. Ela se liberta dessa coisa tóxica patriarcal e ela sabe que o Beto está chateado por não ter sido escolhido, mas mesmo com tudo isso ela se impõe. Nas ideologias dela, nos objetivos que ela tem e até mesmo na libertação dos padrões, ela é sim muito feminista. Ela inspira principalmente as crianças, para que elas tenham esse pensamento de que não é o homem que domina a sociedade, mas sim que as mulheres também têm o espaço delas. Elas têm que se dar o valor e que se impor para conseguir o seu espaço.

Maria Mariana Amaro 

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